Em sociedades audiovisuais, narrativas em imagem-som comportam o que
se convencionou chamar de currículo cultural , ou seja, um conjunto mais
ou menos organizado de informações, valores e saberes que, via produtos
culturais (nesse caso, audiovisuais), atravessam o cotidiano de milhões
de pessoas e interferem em suas formas de aprender, de ver e de pensar.
As relações dos indivíduos com esse tipo de produção constróem
imaginários e ajudam a produzir identidades étnicas, sexuais, sociais
etc.
Pesquisadores de diferentes áreas (psicologia, sociologia,
antropologia, história entre outras) vêm buscando compreender de que
forma isso acontece, isto é, através de que mecanismos cognitivos,
psicológicos e/ou socioculturais, imagens de cinema e televisão e
conteúdos da Internet participam da tessitura de concepções de mundo, de
valores e crenças professados pelos que com elas interagem de forma
mais ou menos intensa.
Países como França, Inglaterra e Estados
Unidos, entre outros, instituíram, com financiamento público, ao longo
das últimas décadas do século XX, linhas de investigação cada vez mais
amplas, envolvendo diferentes temáticas e distintos campos
disciplinares, em importantes centros de pesquisa , buscando compreender
não apenas a natureza das relações que se estabelecem entre artefatos
audiovisuais e seus espectadores e/ou usuários, mas também o impacto
político-social que essas relações podem produzir.
No Brasil, mesmo
que ainda não se tenha configurado uma tradição de pesquisa em torno
dessa temática, iniciativas vêm sendo desenvolvidas nesse sentido nas
áreas de comunicação, sociologia, antropologia (Escola de Comunicação da
UFRJ, Escola de Comunicação e Artes da USP, Instituto de Artes e
Comunicação Social da UFF, IUPERJ, Museu Nacional da UFRJ, entre outras)
e, mais recentemente, na educação (Programa de Pós-Graduação em
Educação da UFRGS, Núcleo de Comunicação e Educação da USP, entre
outros). De uma maneira geral, essas pesquisas vêm indicando, de forma
cada vez mais contundente, que não é possível compreender a dinâmica de
funcionamento de sociedades audiovisuais, sem analisar o papel
desempenhado pela relação que os diferentes grupos e atores sociais
estabelecem com a atmosfera cultural em que estão imersos, sobretudo,
com a produção veiculada maciçamente em imagem-som.
Na área de
educação, precisamos refletir sobre o modo como as imagens vêm sendo
abordadas nas salas de aula que deveriam ser espaços nos quais as
imagens estariam sendo tomadas, pelos alunos, como meios de pensar a
realidade, uma vez que elas estão impregnadas nas suas rotinas. Não é
possível, à escola, negar a existência das imagens televisivas e da
propaganda, uma vez que elas fazem parte do contexto histórico-cultural
no qual nossas crianças e jovens estão inseridos, mas, por isso mesmo,
urge que se instrumentalize o professor para que possa orquestrar
reflexões críticas de seus alunos acerca do que as mídias oferecem. Já
não é possível mais ficarmos com os discursos maniqueístas que as
denunciam como instrumentos de alienação dos jovens. É necessário que
essas falas sejam substituídas por uma ação consciente que leve à
apropriação desses veículos para promoção da reflexão e do
desenvolvimento da consciência crítica. É preciso tentar compreender os
sentidos que os sujeitos estão produzindo para suas experiências com as
imagens para que elas se tornem em instrumentos não apenas de apreensão
da realidade mas de reflexão sobre a mesma.
Hoje, já se acredita que
investigar as relações que crianças e adolescentes estabelecem com a
televisão e os computadores pode ajudar a compreender também alguns dos
problemas identificados pelas pesquisas em escolas, tais como a
dificuldade de comunicação entre adolescentes e seus professores, o
desinteresse das crianças pelas atividades escolares, processos de
aprendizagem diferentes daquelas com as quais os professores estavam
habituados a lidar, entre outros. Nesse sentido, trabalhos de
dissertação de Mestrado e teses de Doutorado tem se aprofundado nesse
tema.
Não parece haver dúvidas, também, quanto à existência de
vínculos mais ou menos estreitos entre a mídia veiculada em imagem-som e
produção/difusão de valores éticos e morais em culturas que valorizam
esse tipo de artefato. Sabe-se, contudo, que não se pode pensar nisso
como uma via de mão única, que vai da mídia ao espectador. Trata-se de
um fenômeno muito mais complexo do que se pode supor à primeira vista;
os indícios sugerem influência mútua, circularidade de informações e
interdependência, cujos resultados somente podem ser captados,
empiricamente, a médio e longo prazo.
Por outro lado, mais o que
nunca, o momento atual tem sido marcado, no campo da educação, pela
consciência da necessidade da formação continuada dos professores, que
se faz urgente, mais do que tudo porque a formação dada pelos cursos de
Licenciatura tem-se mostrado insuficiente e, portanto inadequada às
exigências do mundo atual. A socialização do saber e a qualificação para
o trabalho adquirem, na contemporaneidade, um caráter altamente
dinâmico, requerendo das pessoas flexibilidade, criatividade e
atualização permanente, em decorrência das mudanças de paradigmas com as
quais a sociedades vem se confrontando. Ha, portanto, a necessidade de
se ver a educação indo alem das paredes escolares, ou melhor dizendo,
trazendo o cotidiano e as possibilidades dele para dentro do espaço
escolar. Ora, isso só será possível se aqueles que estiverem no
exercício do oficio docente minimamente puderem dominar as atuais
tecnologias de informação e puderem alcançar o potencial que as mídias
podem lhes oferecer, já que parece não haver mais duvidas sobre a sua
relevância. Mídia e tecnologia da informação configuram um campo de
saber que tem sido visto como uma excelente opção para o atendimento
dessas exigências, mas nem sempre adequadamente utilizados. Conhecê-lo
é, pois, fundamental, porque permite a efetiva instrumentalização de
todos os que têm a seu cargo atividades de ensino
Nesse sentido, a
universidade é um lugar privilegiado para se desenvolver programas com
esse objetivo, quer se fazendo por especializações mais gerais, quer por
oferecer capacitações mais especificas. Por ser a PUC-Rio considerada,
no campo da educação, uma instituição que, em todos os seus anos de
existência, imprime em seus cursos a marca de seriedade e dinamismo no
seu desempenho, tendo a inovação como resposta aos desafios da educação
contemporânea, não pode ficar alheia a essas exigências que o campo de
ensino-aprendizagem tem apresentado.
fonte:>>>> http://www.cce.puc-rio.br/sitecce/website/website.dll/folder_curso?nCurso=midia,-tecnologia-da-informacao
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